Covid-19: empresas inovam para atravessar momento crítico | Ultragaz Revendas
Covid-19: empresas inovam para atravessar momento crítico

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Covid-19: empresas inovam para atravessar momento crítico

Covid-19: empresas inovam para atravessar momento crítico

Manter o negócio funcionando a portas fechadas? Está aí um desafio que é novo para os empresários e empreendedores brasileiros, que estão tendo de se adaptar às pressas a essa nova realidade. Com os novos decretos que restringem a mobilidade (e consequente incentivo à prática de home office) e o funcionamento “físico” de boa parte dos negócios como tentativa de achatar a curva de contágio da Covid-19 no Brasil, pequenas e médias empresas que atuam no comércio e nos serviços buscam alternativas para seguir funcionando e faturando.

Marcelo Cherto, fundador da Cherto Consultoria, entende que neste primeiro momento o foco deve estar no “modo sobrevivência” à Covid-19: cortar as despesas o quanto puder e buscar gerar receita de todas as maneiras possíveis: e-commerce, venda por telefone (ativo e receptivo), venda pelo Instagram ou pelo WhatsApp. “É preciso dedicar 100% da nossa atenção àquilo que podemos fazer de útil, em vez de perder tempo sofrendo com o que não está sob nosso controle”, pondera, referindo-se às questões mais técnicas relacionadas à Covid-19.

Para o consultor, é importante que a cúpula da empresa converse diariamente sobre estratégias e alternativas e, se possível, grave e encaminhe vídeos aos colaboradores, mostrando caminhos e desafiando o uso da criatividade nos negócios. Para manter o engajamento com a equipe, é também interessante realizar com alguma periodicidade videoconferências com a equipe. “É fundamental que as pessoas se vejam, estejam na mesma vibração.”

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Covid-19 amplia oferta de aulas online

Na Born to Crossfit, localizada no bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo, as portas físicas tiveram de ser fechadas em 19 de março devido às medidas de contenção da Covid-19 . Mas no dia seguinte as portas virtuais já estavam abertas para que todos os 260 alunos pudessem seguir com a rotina de treinos. Os professores da academia estão dando aulas ao vivo pelo Instagram nos sete dias da semana, com mais de uma opção de horário por dia. Os treinos também ficam gravados por 24 horas para quem preferir fazer em outro momento.

Alguns dias depois, os sócios decidiram que as aulas seriam abertas a todos os interessados. “Com isso, já registramos um aumento orgânico de 400 seguidores no Instagram em apenas cinco dias. E uma lista de 60 interessados em visitar o box quando for reaberto”, comenta Wellington do Carmo, sócio e head coach da academia. Nestes primeiros dez dias de quarentena, o box registrou apenas um cancelamento de matrícula.

Para aumentar o engajamento dos clientes e ampliar a receita neste período para garantir o pagamento dos dez colaboradores que compõem a equipe, foi criada uma estratégia de oferta de serviços extras a um valor baixo para poder escalar em volume. “Criamos dois grupos VIPs no Telegram, um com desafio de alimentação e outro com direcionamento de treino, comportamento e estilo de vida. Tivemos a adesão de 65% da base de clientes.”

Esses caminhos alternativos são essenciais no segmento, formado em sua maioria pequenas empresas. Na estimativa de Gustavo Borges, presidente da Associação Brasileira de Academias, mais de 80% delas são micro ou pequenas, que dependem necessariamente do pleno funcionamento de suas atividades para se manter.

Alteração na agenda de consultas

A ginecologista obstetra Silvia Gomyde Casseb está mantendo sua rotina de plantões em hospitais públicos e privados, mas alterou a dinâmica de atendimento em consultório como precaução à disseminação da Covid-19. Como atende a gestantes, não há como suspender todas as consultas. Como resultado, sua opção foi por abrir a agenda uma vez a cada dez dias, concentrando assim todos os atendimentos em uma mesma data.

“Em casos urgentes, também me disponho a realizar atendimento remoto pelo Skype, modalidade regulada emergencialmente pelo Conselho Federal de Medicina. Nestes casos, a duração e o valor da consulta online são informados previamente. “Temos de nos adaptar à realidade pensando em alternativas, considerando demandas e urgências e avaliando riscos”, explica a médica. “Mas mantenho relacionamento constante com minhas pacientes pelos canais digitais, além das informações que publico no meu Instagram profissional. Estamos distantes apenas fisicamente neste momento.”

Construção e manutenção de relacionamento

Sobre relacionamento, Marcelo Cherto reforça a importância de estar próximo do cliente, ainda que não seja para vender. “Nossos clientes na consultoria são empresários ou executivos de empresas de todos os portes e percebemos que, em muitas situações, tudo o que eles querem é ter alguém com quem conversar, desabafar, trocar ideias. Entendemos que agora é essencial estar à disposição deles, oferecendo suporte.”

Manter os clientes é mais fácil do que conquistar novos. Por isso, ativar a base, tanto para entender suas demandas atuais (e avaliar possibilidade de adaptar o negócio e atendê-las) quanto para projetar necessidades no período de retomada (e trabalhar desde já para estar pronto na hora certa) é uma iniciativa necessária. De acordo com análise da Endeavor, organização de apoio a empreendedores, quando a demanda for retomada, voltarão a comprar com você, e não do concorrente.

Patricia Albanez, consultora de negócios do Sebrae/PR, sugere a ativação do grupo de clientes com mensagens sensíveis e informativas relativas ao seu negócio, informando se a empresa segue funcionando via e-commerce, entregas com portador, envio pelos Correios ou ainda outros formatos, estimulando o contato, mostrando as possibilidades e se apresentando como opção neste momento. No caso de negócios que estejam fechados, sem outras alternativas de faturamento, apresente os planos futuros. “Claro que vão diminuir atendimento e receita, mas são iniciativas que garantem a continuidade do negócio.”

Marcelo Cherto defende que, num segundo momento, após a ativação do “modo sobrevivência”, será hora de rever o próprio modelo de negócio, estrutura e processos. “Por mais dolorido que seja, toda crise tem um efeito ‘purificador’, que nos obriga a reavaliar tudo o que fazemos, porque fazemos e como fazemos.”

Roupas: e-commerce e ‘malinhas’ ganham espaço

O comércio de roupas também vem sentindo uma retração. Além da restrição de abertura das lojas virtuais, é preciso considerar que as demais preocupações acabam tirando o foco do consumo de itens de vestuário. A Toca Tatu Mix, loja de roupas e acessórios infantis localizada em uma galeria comercial em Cerqueira César, São Paulo, já havia estruturado seu e-commerce há um ano, e é neste ambiente que estão ocorrendo as compras nas últimas semanas.

WhatsApp e Instagram também são ferramentas de relacionamento e venda. O envio de ‘malinhas’ repletas de roupas no tamanho e estilo desejado pelo cliente para experimentar e decidir a compra em casa é outra possibilidade. A opção já existia antes. Porém agora conta com uma mudança: a quantidade de etapas de higienização no processo e o “resguardo” das peças por uma semana na loja em ambiente separado depois que voltam. “A organização é totalmente diferente, porque temos de manter separadas as roupas que saem e voltam das demais do estoque”, explica Lizely Naoum, proprietária da marca que já completou três anos e meio de vida.

A receita conquistada via participação em feiras e bazares, todos suspensos por causa da Covid-19, tem vindo por meio de outra iniciativa: a criação de um grupo no condomínio, que conta com 300 unidades, voltado para divulgação do trabalho dos vizinhos com algo a ofertar e de troca de dicas de serviços no bairro, como deliveries de mercado, frutas e verduras ou de locais em que já há a vacina contra a gripe disponível. “Temos canal no Instagram, Facebook e uma lista de transmissão via WhatsApp. É uma forma de as marcas ampliarem sua divulgação e ganharem novos clientes, que seguirão com elas pós-crise Covid-19. Tem opções como a minha, de roupas e acessórios, sucos, comida congelada.”

Retomada: estratégias após Covid-19

“Use a quarentena para repensar modelo de negócio e entrega para a economia que vai surgir após a crise”, diz Patricia Albanez, do Sebrae/PR. Para ela, é importante ponderar demanda reprimida e queda do poder aquisitivo do público final. “Cuidado para não inflar demais o estoque e assumir uma dívida muito grande, por exemplo. É preciso ter em mente que, quando tudo voltar ao normal, o público precisará de um tempo de reação.”


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